Hoje começou oficialmente o carnaval em SSA. A chave da cidade foi entregue ao Rei Momo para que até quinta da semana que vem ele tenha a liberdade de reinar da maneira que bem entender. As igrejas de SSA entreram em contato com o prefeito para que isso não acontecesse, pois o Rei Momo representa a folia e todas as outras coisas que vem agregado ao carnaval. Mas ele, por mais que seja evangélico, deu prioridade a tradição e a vontade do povo. Ele é político. O negócio é orar pela cidade.

Já tem pelo menos 2 semanas que o assunto é só carnaval. O povo na empresa estava agoniado sem saber se iam trabalhar na sexta e na quarta feira (sim, o carnaval aqui só acaba quinta de tarde). Essa semana onde eu moro (que fica bem onde passa os blocos) já estava com o trânsito impraticável. Camarotes, camelôs e outros adereços na avenida. Não sabia como ia voltar hoje para casa devido aos bloqueios ao tráfego. Dei uma bela volta e consegui entrar em minha rua mostrando que sou morador.

Todos os prédios da região estão vestidos para guerra. Todos estão com tapumes de madeira ou mesmo de ferro para aguentar a insanidade do povo. Tive que passar a pé pela rua e já tinha gente fumando maconha e meninas de 11 anos (provavelmente) se oferecendo. Fora as bichas que ficam te azarando.

No momento meu apartamento parece uma caixa de grave tamanha pressão e altura do som. Você sente o som através do corpo devido a potência. Desci um pouco pra registrar o evento. Em frente ao meu prédio já havia um aglomerado de umas 100 pessoas. Hoje não é o dia dos famosos, então a rua não tava tão cheia para os padrões daqui, mas tinha muita gente esquisita, bebada, cheirada e malandros de olho na carteira alheia. Em pouco tempo ocorreram duas brigas bem do meu lado. Fiquei perto de uns policiais para poder usar a camera em segurança.

Particularmente não entendi qual é a graça de uma festa que não é para todos. Alguns bem afortunados pagam caro por um uniforme, um abadá ou fantasia (q seja!) e ficam espremidos dentro de uma corda, andando sem parar, sem lugar pra sentar ou apoiar acompanhando o caminhão, e ainda nem podem tentar sair, pois correm o risco de terem seu abadá roubado e não conseguir voltar para o bloco. E fora da corda está o povão, que se aperta em estreitas calçadas e assiste (ou tenta) parte da festa. Os blocos mais caros já nem pertencem aos baianos mais, somente turistas participam destes. E os melhores blocos são compostos quase e exclusivamente de pessoas brancas. Os negros normalmente estão na pipoca, ou vendendo cerveja, ou puxando as cordas (ganhando 17 reais por dia pra encarar a fúria dos foliões que tentam entrar dentro do bloco).

Hoje, aqui no Campo Grande, estão passando os blocos alternativos, é o dia e o local mais popular do carnaval. Predomina o pagode e não o axé. O axé está sendo tocado pra elite no circuito da Barra. Lá estão as pessoas que pagaram mais de 700 reais para acompanhar Ivete atrás do trio.

Diante das coisas que vi, do clima estranho e da impossibilidade de eu dormir durante todo o carnaval, acabei de comprar minha passagem pra Goiania pela internet. Lá eu mato saudades do meu pai e da KK, de amigos e ainda descanso (coisa que jamais fiz nessa época por conta dos retiros, que em compensaçõa eram ótimos!). Eu preciso descansar, o trabalho tá muito exaustivo.

É muito esquisito ver seu prédio todo encapado por tapumes e ter que entrar pela garagem. E na porta desta ter uma multidão se espremendo e fedendo a xixi. Eu ia ajudar no evangelismo aqui, mas não tem condições de ficar aqui em casa durante esses dias e eu não estou a fim de passar desconforto dormindo no alojamento improvisado para receber as pessoas que trabalharão no impacto de carnaval (Espiritual 2007). Espero que o pastor não fique chateado comigo e entenda a minha situação. Eu realmente queria participar… Fico triste por não ficar.

Vou colocar umas fotinhos que tirei rapidinho na rua (detalhe, tá chovendo sem parar e a previsão é de água pra todo carnaval)

povão na rua antes de passar o trio

o trio chegando (ainda sem a proteção das cordas).

pessoal caracterizado pelo uniforme deste trio.

pessoal que segura a corda. (eles acabaram brigando entre si, não me pergunte porque).

Esse bloco tinha como caracteristicas pessoas mais velhas e, aparentemente, mais simples.

Cordeiros fazendo a maior força pra segurar o fim da corda. Parecia ser uma grande pressão. Estavam fazendo muita força. Uma curiosidade que achei é que trabalham mulheres como cordeiras, algumas senhoras que devem ter mais de 45 anos, fiquei até com dó quando vi. Mas a necessidade faz a hora né?

Que horas será que isso vai terminar? Eu tenho que trabalhar amanhã… emoticon

beijos a todos!

*ATUALIZAÇÃO* acabou…acabou quase 8 horas da manha, na hora que eu to saindo pra trabalhar…